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Apps, gincanas e premiações são táticas contra o sedentarismo no trabalho

Publicado originalmente no UOL



O analista administrativo Alexandre Luiz Lopes parou de praticar atividades físicas no início da pandemia de covid-19, quando adotou o isolamento social e passou a trabalhar de casa. Com uma redução de membro inferior causada por um acidente, logo sentiu os efeitos de ficar parado.


A analista de investimentos Thainá Cervera, que sempre praticou esportes para controlar a ansiedade, experimentou a mesma mudança, e a gerente de projetos Rafaela Graeff, corredora convicta antes do nascimento do filho, viu seus planos de retomada de uma rotina saudável ficarem mais distantes.


Para interromper o sedentarismo dos primeiros meses de pandemia, os três tiveram um empurrãozinho das empresas em que trabalham, que entraram em ação com ferramentas inovadoras de incentivo à prática de atividade física, como desafios e prêmios. As novas estratégias foram tão bem recebidas pelos colaboradores que, de acordo com os entrevistados, devem permanecer na lista de benefícios oferecidos mesmo após a retomada do trabalho presencial.


Parada generalizada

Assim como Alexandre, Thainá e Rafaela, milhões de brasileiros pararam de se movimentar durante a pandemia, especialmente na primeira onda de contágio, em 2020. Se os números brasileiros já chamavam atenção antes —em 2019, mais de 40% dos adultos eram considerados insuficientemente ativos, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística)—, com o isolamento social, a situação piorou e fez com que mais pessoas parassem totalmente.


O estudo ConVid - Pesquisa de Comportamento, realizado pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), descobriu que 62% da população não realizou qualquer atividade física durante a pandemia. Entre quem tinha o hábito de se exercitar de três a quatro vezes por semana, 46% pararam.


A crescente demanda por serviços de incentivo à atividade física no trabalho fortalece outras empresas. É o caso da VIK, fundada por Pedro Reis, que oferece soluções de gamificação e de redes sociais para promover saúde e bem-estar.


"Quando as pessoas param de fazer atividade física, elas ficam mais estressadas, se alimentam e dormem pior e isso diminui o engajamento no dia a dia da empresa", afirma Pedro Reis, sócio-fundador da VIK, que oferece soluções de gamificação e redes sociais voltadas à saúde e ao bem-estar.


Nos últimos meses, inclusive, a VIK viu a demanda pelo seu serviço de incentivo à atividade física crescer consideravelmente. Um aplicativo da empresa ajudou o iFood a manter seus funcionários ativos. "Temos uma boa estrutura para atividade física no escritório, mas com o trabalho remoto não era mais possível utilizá-la", conta Vera Lúcia Gonçalves Nascimento, analista de saúde da empresa de delivery de refeições. "Procuramos, então, uma alternativa mais estimulante."


Vera Lúcia Gonçalves Nascimento, analista de saúde do iFood, conta que a empresa contratou um aplicativo da VIK para estimular os funcionários a sair do sedentarismo.


Depois de baixar o app e preencher um cadastro, os participantes enfrentam desafios que duram cerca de 90 dias e acumulam VIK bônus, que podem ser trocados por vouchers de até R$ 500 na rede de lojas de material esportivo Centauro. Ao final do período, também são feitas doações para organizações não governamentais —quanto mais os funcionários se exercitam, mais as instituições recebem. A solução da VIK permitiu que o iFood acompanhasse a adesão e as participações, e os números indicam que a iniciativa veio para ficar.


Incentivos extras

Na Votorantim, o clima de competição do Desafio V Saúde animou a analista de investimentos Thainá Cervera a se movimentar. Com o sono desregulado e sofrendo de ansiedade, ela baixou o aplicativo e passou a correr ao ar livre ou a reservar horários na academia do prédio.


Pelo programa, os participantes compartilham fotos das rotinas de exercício, o que incentiva os colegas a se mexer também. "Até nosso CEO entrou no desafio e isso serviu de incentivo para não ficarmos parados", conta Thainá. Em paralelo, cumpre-se uma lista de hábitos saudáveis. Tudo isso gera pontos que podem ser trocados por prêmios. A empresa se prepara para lançar a segunda edição do programa agora, em paralelo ao retorno presencial.


Confira a matéria completa aqui.

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